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Em que negócio realmente estamos?

Inicialmente parece uma pergunta fácil de ser respondidas mas você já parou para fazer uma análise e responder essa pergunta com total segurança?

Pois bem, vou colocar aqui alguns exemplos para podermos criar uma discussão sobre esse assunto.

Vamos começar pela empresa mais assediada do mundo atual, a Google.
Em que negócio a Google realmente está?  No negócio de buscas é claro e é por isso que vamos usá-la como exemplo principal.

O serviço de buscas do Google não tem rendimento, juntamente com o Gmail, o Google Maps, o Google Docs e todos os seus demais serviços prestados, com exceção de um, o de publicidade, seja ela em links patrocinados, seja ela na venda de espaços em seus AdServers.

Então, por conclusão, a Google coloca uma gama de serviços gratuitos, que lhe gera um fluxo enorme de seguidores e consumidores para poder vender a publicidade que lhes apresenta, ou seja, sua principal receita não vem de seus principais serviços, mas de uma porta lateral não tão percebida por seus consumidores diretos.

O negócio onde a Google realmente está, é o de venda de espaço publicitário através da exposição de conteúdos os quais não os produz. Um dos negócios mais rentáveis da atualidade pois a Google somente organiza os conteúdos produzidos por terceiros para depois poder vender espaço entre eles, ganhando dinheiro com o trabalho dos outros. Absurdamente inteligente.

Mas não estou aqui para falar da Google (leia-se a empresa Google), mas sim da necessidade de descobrirmos em que negócio estamos.

Vou colocar um exemplo pessoal. Tenho um casal de amigos, a Carla Toledo e o Vanderlei Marques, proprietários da Reserva Floral, uma empresa de design floral.
Eles foram inteligentes o suficiente para analisar o negócio e ver onde realmente estavam.
Descobriram que não estão alinhados com as empresas de comercio on-line para venda de flores. Eles são especiais e diferenciados atuando no ramo corporativo, o que sem dúvida é mais rentável para quem sabe trabalhar nesse segmento, o que é o caso deles.

Mas eles poderiam ter se iludido com a idéia de ser mais uma empresa de arranjos comuns.
Arranjos comuns eles também sabem fazer logicamente mas o que cria a real rentabilidade, são suas técnicas e apresentações diferentes, com profissionalismo indiscutíveis, além de cursos e palestras da Carla.

Já no caso das grandes corporações, temos a AOL, que achou estar no negócio de conteúdo e foi acreditando nisso que a Timer Warner cometeu o erro de se unir à AOL.
Na verdade, a AOL estava no negócio de comunidades, muito antes das redes sociais serem a febre que é hoje. Seus chats e fóruns foram pioneiros e populares, antes mesmo do Facebbok, Orkut e etc. Todos tinham uma conta de e-mail  da AOL, da mesma forma que hoje se tem no Gmail. Eles não fizeram a pergunta certa: em que negócio realmente estamos?

A Kodak, é uma empresa que está correndo atrás do prejuízo pois demorou muito para ver que o filme estava aposentado e só deixou de fabricar suas câmeras instantâneas com filme, em 2008.

Quando você pensa em foto, pensa em que empresa? Sony, Nokia, outras tantas mas praticamente ninguém da atualidade pensa em Kodak. Se ela tivesse feito a pergunta – em que negócio realmente estamos? Talvez teria comprado o Flickr antes do Yahoo.

Em todos os segmentos podemos criar essa dúvida:
Consultórios médicos são empresas de doenças ou empresas de saúde?
As empresas de seguro avaliam riscos ou garantem a segurança?
Os restaurantes são cozinhas ou comunidades?
As agências de comunicação vendem publicidade ou criam relacionamentos?

E você, sabe em que negócio realmente está?

 

7 comments to Em que negócio realmente estamos?

  • Pois é, Marcello, voltamos sempre ao ‘ponto-fórmula’de qualquer planejamento de comunicação: ter a clareza para identificarmos a meta de onde queremos chegar um dia (o sonho ideal) MAS com os pés no chão para construírmos o dia-a-dia da nossa caminhada (a realidade). Penso que muitas empresas erram porque se posicionam como o sonho, ao invés de tê-lo como objetivo mas fazer o agora acontecer. Ótimo post.

  • Antes que Mr. Jobs apareça para deixar um agradecimento.rs
    Obrigado Marcello pela citação. Competentes são aqueles que nos ajudam a encontrar o caminho. Vc é um desses guias.
    Obrigado pela ajuda e apoio de sempre.
    Vanderlei

  • Hercules

    Marcello,
    fantástico este post e esta indagação.
    Eu fiz esta pergunta a mim mesmo e não soube responder.
    Ás vezes estamos em vários lugares e não estamos em nenhum.
    abs

  • Amauri

    Marcello,

    Muito boa reflexão. Ótimo exercício não só para as empresas, mas também para a vida pessoal de cada um de nós.
    Valeu!
    Abs,
    Amauri

  • É um excelente tema para reflexão. A própria Sony pode se perguntar: Estamos no negócio de games (playstation), fotos, filme (Sony Pictures Entertainment) ou música (Sony BMG)? Desde que inventaram o primeiro walkman, muita coisa mudou. As empresas se reinventam, as boas fazem isso rápido. Outro dia falei com um amigo meu colombiano que trabalha com importação, ele contou que a China lança um produto “X” novidade, espalha containers desse produto pelo mundo e já tira de linha, substitui por outro com um design melhor e uma função a mais… Se olharmos para a Apple, vale perguntar em que negócio eles estão, a resposta é semelhante ao Goole: Eles estão no iTunes Store online. abs e parabéns pelo post.

  • Boa tarde!

    Gostaria de acrescentar frases que me vieram a cabeça, enquanto lia opost, para aumentar ainda mais a reflexão.

    1. A Google deu valor às palavras. Solucionaou um problema. Encontrar o que quero na rede interligada. Em conjunto com a midia Ativa (internet) houve o casamento perfeito.

    2. Um restaurante pode ser uma cozinha ou uma comunidade. Depende do comportamento do nicho que irá atuar e de seu posicionamento.

    Parabens pela materia e fica aqui minha comtribuição.

    Abraço!

    3.

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