Em que negócio realmente estamos?
Esse post eu escrevi em Julho deste ano (2010) porém em um período onde o blog tinha uma cara muito diferente da atual. Era um blog muito mais pessoal e menos informativo mas acho que esse artigo, o qual também foi publicado na Revista Locaweb, ainda tem um tom bem atual e por conta disso, achei por bem coloca-lo novamente em evidência para que os novos leitores tivessem acesso. Então vamos lá…
Inicialmente parece uma pergunta fácil de ser respondidas mas você já parou para fazer uma análise e responder essa pergunta com total segurança?
Pois bem, vou colocar aqui alguns exemplos para podermos criar uma discussão sobre esse assunto.
Vamos começar pela empresa mais assediada do mundo atual, a Google.
Em que negócio a Google realmente está? No negócio de buscas é claro e é por isso que vamos usá-la como exemplo principal.
O serviço de buscas do Google não tem rendimento, juntamente com o Gmail, o Google Maps, o Google Docs e todos os seus demais serviços prestados, com exceção de um, o de publicidade, seja ela em links patrocinados, seja ela na venda de espaços em seus AdServers.
Então, por conclusão, a Google coloca uma gama de serviços gratuitos, que lhe gera um fluxo enorme de seguidores e consumidores para poder vender a publicidade que lhes apresenta, ou seja, sua principal receita não vem de seus principais serviços, mas de uma porta lateral não tão percebida por seus consumidores diretos.
O negócio onde a Google realmente está, é o de venda de espaço publicitário através da exposição de conteúdos os quais não os produz. Um dos negócios mais rentáveis da atualidade pois a Google somente organiza os conteúdos produzidos por terceiros para depois poder vender espaço entre eles, ganhando dinheiro com o trabalho dos outros. Absurdamente inteligente.
Mas não estou aqui para falar da Google (leia-se a empresa Google), mas sim da necessidade de descobrirmos em que negócio estamos.
Vou colocar um exemplo pessoal. Tenho um casal de amigos, a Carla Toledo e o Vanderlei Marques, proprietários da Reserva Floral, uma empresa de design floral.
Eles foram inteligentes o suficiente para analisar o negócio e ver onde realmente estavam.
Descobriram que não estão alinhados com as empresas de comercio on-line para venda de flores. Eles são especiais e diferenciados atuando no ramo corporativo, o que sem dúvida é mais rentável para quem sabe trabalhar nesse segmento, o que é o caso deles.
Mas eles poderiam ter se iludido com a idéia de ser mais uma empresa de arranjos comuns.
Arranjos comuns eles também sabem fazer logicamente mas o que cria a real rentabilidade, são suas técnicas e apresentações diferentes, com profissionalismo indiscutíveis, além de cursos e palestras da Carla.
Já no caso das grandes corporações, temos a AOL, que achou estar no negócio de conteúdo e foi acreditando nisso que a Timer Warner cometeu o erro de se unir à AOL.
Na verdade, a AOL estava no negócio de comunidades, muito antes das redes sociais serem a febre que é hoje. Seus chats e fóruns foram pioneiros e populares, antes mesmo do Facebbok, Orkut e etc. Todos tinham uma conta de e-mail da AOL, da mesma forma que hoje se tem no Gmail. Eles não fizeram a pergunta certa: em que negócio realmente estamos?
A Kodak, é uma empresa que está correndo atrás do prejuízo pois demorou muito para ver que o filme estava aposentado e só deixou de fabricar suas câmeras instantâneas com filme, em 2008.
Quando você pensa em foto, pensa em que empresa? Sony, Nokia, outras tantas mas praticamente ninguém da atualidade pensa em Kodak. Se ela tivesse feito a pergunta – em que negócio realmente estamos? Talvez teria comprado o Flickr antes do Yahoo.
Em todos os segmentos podemos criar essa dúvida:
Consultórios médicos são empresas de doenças ou empresas de saúde?
As empresas de seguro avaliam riscos ou garantem a segurança?
Os restaurantes são cozinhas ou comunidades?
As agências de comunicação vendem publicidade ou criam relacionamentos?
E você, sabe em que negócio realmente está?




